SES (Status Socioeconômico)
29 mai 2026 Tempo de leitura ≈ 10 min
Você está conduzindo um estudo do comportamento do consumidor. Saber o nível de renda de um respondente é fundamental para a sua análise, mas a pergunta direta "quanto você ganha?" gera uma taxa de resposta baixa e muitas recusas.
O status socioeconômico (SES) é uma característica multidimensional que inclui renda, escolaridade, ocupação e vários outros indicadores. Medir por meio deles acaba sendo ao mesmo tempo mais preciso e mais aceitável para o respondente do que uma única pergunta sobre dinheiro.
Definição
SES (Status Socioeconômico) é um indicador composto da posição social de uma pessoa ou de um domicílio, baseado em uma combinação de características econômicas (renda, bens), educacionais (nível de escolaridade) e ocupacionais (tipo de emprego, cargo). É usado em pesquisas sociológicas, de marketing e epidemiológicas para a segmentação do público, a análise das diferenças sociais, o direcionamento e a compreensão do comportamento. Os indicadores individuais do SES nas pesquisas costumam ter uma taxa de resposta mais alta do que uma pergunta direta sobre a renda.
Componentes do SES
O modelo clássico de SES (segundo Duncan, Hollingshead e adaptações posteriores) inclui três componentes fundamentais:
Renda. O nível de renda pessoal ou familiar. Pode ser medida em valores absolutos (divididos em faixas: até 50 mil, 50–100 mil, etc.) ou em relação aos valores médios do país/região. É o componente mais "sensível": muitas pessoas se recusam a responder.
Escolaridade. O nível de escolaridade mais alto alcançado: ensino médio, técnico, superior, pós-graduação. Uma categoria menos sensível; a maioria dos respondentes responde sem nenhum problema.
Ocupação. O tipo de emprego e o cargo. São usadas classificações (a internacional ISCO-08 e seus equivalentes nacionais). Permite avaliar o status e a renda de forma indireta.
Indicadores adicionais que costumam ser incluídos nas escalas ampliadas:
- Bens — ser dono de uma casa, um carro, uma segunda residência
- Região de moradia — como variável indireta do ambiente socioeconômico
- Avaliação subjetiva — como a própria pessoa avalia sua posição em relação aos demais (a Escada MacArthur de Status Social Subjetivo)
Índices do SES
As diferentes tradições de pesquisa usam formas distintas de agregar os componentes em um único indicador:
Índice de Hollingshead. Uma escala clássica que combina escolaridade e ocupação em uma única pontuação. A escolaridade é avaliada em 7 níveis e a ocupação em 9 categorias de prestígio. A pontuação final é uma soma ponderada.
Índice Socioeconômico de Duncan (SEI). Baseia-se na ocupação, mas levando em conta a renda e a escolaridade associadas a ela. Cada categoria ocupacional tem uma pontuação fixa que reflete a "posição social" média.
Índice de Desvantagem Socioeconômica Relativa. É usado para segmentos geográficos (bairro, CEP). Agrega vários indicadores no nível do território: renda, emprego, escolaridade, condições de moradia.
Compostos simples. Nas pesquisas aplicadas costuma-se usar uma combinação simples de 3–5 perguntas (renda, escolaridade, emprego, posse de bens), seguida de uma categorização em 3–5 grupos (SES baixo, médio-baixo, médio, médio-alto, alto).
Como incluir o SES nas pesquisas
Um bloco de vários indicadores em vez de apenas um. Em vez de "quanto você ganha?", inclua 3–4 perguntas: nível de escolaridade, área de atuação, cargo, posse da moradia. Cada uma isoladamente é menos sensível e, em conjunto, dão uma estimativa do SES mais confiável.
Uma pergunta de renda com faixas, e não com um valor exato. "Até 30 mil / 30–60 / 60–100 / 100–200 / mais de 200" é mais fácil de responder do que digitar um número exato. As faixas podem ser adaptadas às particularidades regionais.
Torne as perguntas opcionais. Torne as perguntas sobre o SES opcionais para concluir a pesquisa — ou ofereça uma opção de "prefiro não responder". Isso reduz a parcela de pessoas que abandonam a pesquisa nesta etapa.
Posição na pesquisa. As perguntas demográficas e de SES costumam ser colocadas no final do questionário. Nesse ponto o respondente já investiu tempo e responde com mais disposição do que nas primeiras telas.
Explicar o objetivo. Uma frase curta — "Estas perguntas nos ajudam a entender melhor as diferenças entre grupos de clientes" — reduz as desconfianças e aumenta a disposição a responder.
Exemplo: segmentação por SES em um estudo de consumo
Um estudo do consumo de serviços on-line entre os moradores de uma cidade. Foram incluídos na pesquisa 4 indicadores de SES:
- Nível de escolaridade (5 opções)
- Área de atuação (10 opções)
- Renda por pessoa na família (7 faixas)
- Posse da moradia
Foi construído um índice composto simples: cada componente foi classificado de 1 a 5, para uma pontuação total de 4 a 20. Os respondentes foram divididos em 3 grupos:
- SES baixo (4–9 pontos): 22% da amostra
- SES médio (10–15 pontos): 58%
- SES alto (16–20 pontos): 20%
A análise das preferências de consumo por grupos mostrou que o grupo de SES alto está disposto a pagar por planos premium e valoriza a comodidade, o grupo médio é sensível à relação preço/qualidade e o grupo baixo se orienta sobretudo pelo preço. Sem a segmentação por SES, essas diferenças teriam se diluído nos números médios de toda a amostra.
Erros típicos ao trabalhar com o SES
Apoiar-se apenas na renda. A renda é apenas um dos componentes. Um aposentado com escolaridade alta e uma casa própria no centro da cidade pode ter renda atual baixa, mas um SES alto. Um estudante de uma família abastada tem renda pessoal baixa, mas um SES familiar alto. Um único indicador simplifica demais o quadro.
Usar categorias desatualizadas. As classificações clássicas das ocupações podem não levar em conta as novas realidades: a economia gig, o trabalho remoto, os autônomos, a economia criativa. A pesquisa moderna precisa de categorias adaptadas.
Ignorar o contexto regional. Uma renda de determinado valor em uma grande cidade e em uma cidade pequena representa um SES diferente. Em pesquisas internacionais ou inter-regionais, a renda precisa ser normalizada pelos valores de referência regionais ou usar características relativas.
Desejabilidade social nas respostas. Os respondentes podem inflar sua escolaridade ou seu cargo para parecer mais prestigiados. O viés de desejabilidade social atua com especial força nas perguntas demográficas. Garantir o anonimato reduz essa distorção.
O SES e as questões éticas
Trabalhar com o SES exige cuidado ético:
Formulação respeitosa. As perguntas não devem soar como "quão pobre você é?". "Em qual faixa se enquadra a sua renda mensal?" é neutra. "Qual é o seu nível de escolaridade mais alto?" é padrão.
Não usá-lo para discriminação. Se os dados do SES forem usados para decisões sobre pessoas específicas (condições de atendimento, preços, acesso a serviços), isso pode resvalar em discriminação. Para a segmentação na pesquisa é adequado; para o direcionamento no nível individual exige cuidado.
Confidencialidade. Os dados do SES fazem parte dos dados pessoais. Exigem a mesma proteção que outras categorias: consentimento informado, armazenamento seguro, direito ao apagamento.
O SES no SurveyNinja
No SurveyNinja um bloco de SES é criado com perguntas padrão de escolha única. Para os índices compostos é prático usar a pontuação: cada opção de resposta recebe um escore e o total determina automaticamente a categoria de SES. Isso permite segmentar os respondentes logo na tela final ou durante a análise.
Para uma análise correta do SES é importante garantir que a amostra seja representativa nesse parâmetro — caso contrário, as conclusões ficarão enviesadas a favor do segmento dominante. Para entender o perfil do público-alvo, o SES é um dos parâmetros-chave, ao lado da idade, da geografia e do sexo.
O SES não é uma única pergunta, mas um indicador composto formado por vários indicadores: renda, escolaridade, ocupação, bens. Medi-lo por meio de um bloco de perguntas dá um quadro mais completo e preciso do que uma pergunta direta sobre o salário, e eleva a taxa de resposta. Para as tarefas de pesquisa o SES é um parâmetro de segmentação fundamental; para o direcionamento no nível individual exige cuidado ético.
Perguntas frequentes
Qual é o indicador do SES mais confiável?
A escolaridade é o indicador mais estável e confiável: raramente muda depois de alcançada, não está sujeita a flutuações econômicas de curto prazo e os respondentes a respondem com disposição. A renda é mais sensível à situação atual e provoca recusas com mais frequência. A combinação de vários indicadores dá uma estimativa mais confiável do que qualquer um isoladamente.
É preciso incluir uma pergunta direta sobre a renda?
É recomendável, mas não obrigatório. Se a tarefa for uma segmentação aproximada por SES, bastam a escolaridade e a ocupação. Se for necessária uma avaliação precisa da posição econômica, a pergunta sobre a renda é necessária. Torne-a opcional e use faixas em vez de valores exatos — isso eleva a taxa de resposta.
Como adaptar a escala de SES para diferentes países?
Cada país exige localização: as particularidades regionais da renda, as classificações das ocupações, os níveis de escolaridade. Copiar uma escala norte-americana ou europeia sem adaptá-la dá resultados incorretos. A pesquisa internacional usa escalas transculturais (a ESOMAR Social Grade) ou indicadores relativos.
É possível usar o SES para o direcionamento de anúncios?
Em teoria sim, mas com limitações éticas e legais. Em várias jurisdições (o GDPR e outras) o direcionamento baseado em parâmetros demográficos sensíveis exige consentimento explícito. Em áreas sensíveis (finanças, saúde, moradia) o direcionamento por SES pode ser considerado discriminatório. Para produtos de consumo de massa costuma ser aceitável; para os críticos exige revisão jurídica.
O que fazer se a maioria dos respondentes se recusar a responder às perguntas do SES?
Analise as causas: um bloco longo demais, uma formulação direta demais, a falta de explicação do objetivo, a falta de anonimato, uma má colocação no questionário. Costuma ajudar: encurtar o bloco, tornar as perguntas opcionais, explicar o objetivo, movê-las para o final do questionário. Se a parcela de recusas continuar alta, talvez o SES não seja crítico para a sua tarefa e você possa prescindir dele.
Publicado: 29 mai 2026
Mike Taylor