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Como escrever a seção de participantes, população e amostra do TCC

Como escrever a seção de participantes, população e amostra do TCC

A seção de população e amostra costuma ter dois ou três parágrafos e precisa responder a quatro perguntas: quem participou, quantos, como foram escolhidos e como foram protegidos. Se alguma ficar vaga, a banca vai perguntar na defesa.

Respondente é quem responde ao seu questionário, e o termo está no nosso glossário, no verbete respondente. Este guia trata da parte da metodologia que descreve essas pessoas: o que entra nela, como justificar o número e como fica uma versão pronta.

O que é a seção de população e amostra

Na metodologia de um TCC, dissertação ou projeto de pesquisa, essa seção costuma vir depois da caracterização da pesquisa e antes dos instrumentos de coleta e da análise dos dados. Ela fica no meio por um motivo. O instrumento é escrito para essas pessoas, o procedimento explica como você chegou até elas e a estatística só faz sentido para o número que você informa aqui.

As instituições dão nomes diferentes a ela: População e amostra, Participantes da pesquisa, Sujeitos da pesquisa, Universo e amostra. O conteúdo muda pouco. A palavra dá uma pista, porém: respondentes respondem a um questionário, enquanto participantes ou informantes tomam parte em entrevistas, grupos focais e experimentos. Num estudo qualitativo, "Participantes da pesquisa" costuma ser o melhor título.

As seis perguntas que a seção precisa responder

Qualquer que seja o nome que a sua instituição dê, uma seção completa responde a seis perguntas, mais ou menos nesta ordem:

  • Quem e onde. A população-alvo, definida com precisão suficiente para que alguém de fora saiba se uma pessoa faz parte dela, e o local, se o campo da pesquisa ainda não foi descrito.
  • De um total de quantos. O tamanho da população e a lista de onde ele vem.
  • Quantos participaram e por que esse número. Uma fórmula, uma calculadora, um censo ou a saturação dos dados.
  • Como foram escolhidos. O tipo de amostragem, com o nome certo.
  • Quem ficou de fora. Os critérios de inclusão e exclusão.
  • Como foram protegidos. Consentimento, sigilo, direito de desistir.

O diagrama reúne as seis num só parágrafo-modelo. Cada frase cumpre uma única função.

Parágrafo-modelo de população e amostra dividido em seis frases: quem e onde, de um total de quantos, quantos e por quê, como são escolhidos, quem fica de fora, como são protegidos

População, amostra e base de amostragem

Três termos se confundem aqui, e a confusão aparece. A população é todo o grupo sobre o qual as suas conclusões falam, por exemplo os 400 alunos do último ano de três cursos de uma faculdade. A base de amostragem é a lista concreta da qual você sorteia, como a relação de matriculados da secretaria acadêmica. A amostra é o grupo que acaba respondendo, digamos 200 desses alunos.

Informe os três quando os tiver. "A amostra foi composta por 200 alunos" deixa aberta a pergunta óbvia: 200 de quantos? A banca precisa do tamanho da população para julgar se 200 bastam, e a base mostra se um sorteio era sequer possível. Algumas populações não têm lista, como quem vende pelo Instagram numa cidade ou designers gráficos freelancers. Diga com clareza. Isso limita os tipos de amostragem que você pode declarar com honestidade.

Quantos respondentes: a fórmula de Barbetta

Muitos TCCs calculam a amostra pela fórmula de Barbetta, do livro Estatística Aplicada às Ciências Sociais:

n₀ = 1 / E₀²
n = (N × n₀) / (N + n₀)

N é o tamanho da população, E₀ é o erro amostral tolerável em decimais, n₀ é uma primeira aproximação e n é o tamanho final. Para 400 alunos e erro de 5%:

n₀ = 1 / 0,05² = 400, e n = (400 × 400) / (400 + 400) = 200

Ou seja, 200 respondentes. Quando o resultado tem casas decimais, arredonde para cima: 285,7 vira 286, nunca 285. A conta é a mesma da fórmula que Taro Yamane publicou em 1967, n = N / (1 + N × E₀²), que em alguns países se chama fórmula de Slovin.

Duas escolhas vêm embutidas nela: cerca de 95% de confiança e a suposição mais cautelosa sobre as respostas, uma divisão meio a meio. Por isso ela serve para estimar uma proporção, como a porcentagem de alunos que concorda com uma afirmação, e só nesse nível de confiança. Tejada e Punzalan (2012) mostraram isso para a mesma fórmula, sob o nome de Slovin, na revista The Philippine Statistician.

O que ela não faz importa mais. A fórmula não diz nada sobre comparar grupos, testar uma relação ou rodar uma regressão. Se o seu problema de pesquisa pergunta se homens e mulheres diferem, ou se as horas de estudo predizem as notas, o tamanho da amostra deve vir de uma análise de poder, que programas gratuitos como o G*Power fazem em poucos minutos. Para um levantamento descritivo que relata porcentagens, Barbetta basta. Informe o erro amostral e o nível de confiança por trás dele.

Se quiser escolher o nível de confiança, a nossa calculadora de tamanho de amostra usa a fórmula de Cochran com correção para população finita. Para os mesmos 400 alunos, com 95% e ±5%, ela devolve 197. A diferença para os 200 de Barbetta vem de uma constante arredondada: na prática Barbetta usa z = 2, e a calculadora usa o valor exato de 1,96. Os dois números se defendem, desde que você cite o método.

Por que uma população maior quase não muda a amostra

Dez vezes mais população não significa dez vezes mais respondentes. Com erro de 5%, 1.000 alunos pedem 286 respondentes pela fórmula de Barbetta, e 10.000 pedem 385. Passados alguns milhares, a amostra quase não cresce. Com esse erro ela nunca passa de 400, porque n₀ = 1 / 0,05² = 400 é o teto.

Tamanho de amostra necessário conforme a população com erro amostral de 5%: 80 de 100, 200 de 400, 286 de 1.000 e 385 de 10.000 pela fórmula de Barbetta, nunca acima de 400

Em estudos pequenos, o outro extremo da curva pesa mais. Uma população de 100 pede 80 respondentes, quase o grupo inteiro. Uma de 50 pede 45. Nesse ponto é mais simples e mais sólido pesquisar todos. Isso é um censo: você inclui a população inteira e declara que fez isso, em vez de forçar uma fórmula.

Lembre que a fórmula dá o número de respostas completas, não o de pessoas convidadas. Se você espera que quatro em cada dez alunos respondam a um formulário on-line, 200 respostas exigem enviar o link para cerca de 500. A nossa calculadora de convites necessários faz essa conta, e a taxa de resposta esperada merece uma frase na seção.

Quantos participantes num estudo qualitativo

Fórmulas não se aplicam a entrevistas nem a grupos focais. A justificativa habitual é a saturação dos dados: você continua entrevistando até que as novas entrevistas deixem de trazer temas novos. Num experimento muito citado, Guest, Bunce e Johnson (2006) viram a saturação chegar por volta da décima segunda entrevista num grupo bastante homogêneo. Isso descreve um estudo, não fixa uma cota. Use como referência e explique como você vai avaliar a saturação no seu.

Participantes qualitativos são escolhidos de propósito, então a amostragem quase sempre é intencional, às vezes bola de neve. Aqui os critérios pesam. Explique o que torna alguém informativo para a sua pergunta, por exemplo "professores dos anos iniciais com pelo menos cinco anos de experiência em classes multisseriadas". Se você vai codificar as transcrições em temas, o nosso guia de análise temática cobre esse passo.

Como descrever o tipo de amostragem

Dê à técnica o nome do que você de fato fez, não do que soa mais rigoroso. Mandar o link do formulário no grupo de WhatsApp da turma e ficar com quem responder é amostragem por conveniência, por mais aleatórios que os respondentes pareçam. Chamar isso de amostragem aleatória simples é um erro que a banca descobre com uma pergunta: como foi feito o sorteio?

Cada técnica abaixo vem com uma frase para adaptar, no passado, como no TCC final.

TécnicaQuando serveUma frase para adaptar
Aleatória simplesExiste a lista completa da populaçãoForam sorteados 200 alunos da relação de matriculados, com um gerador de números aleatórios.
SistemáticaUma lista, da qual se toma um a cada k nomesFoi selecionado um a cada dois alunos da lista em ordem alfabética, a partir de um nome sorteado.
Estratificada proporcionalSubgrupos que precisam aparecer na proporção realA amostra foi dividida entre os cursos conforme o número de matriculados: 80 de Administração, 60 de Ciências Contábeis e 60 de Economia.
Por conglomeradosGrupos naturais, como turmas, em vez de indivíduosForam sorteadas 4 das 12 turmas do último ano, e todos os seus alunos foram pesquisados.
IntencionalTrabalho qualitativo que exige uma experiência específicaForam escolhidos dez professores por terem pelo menos cinco anos de experiência em classes multisseriadas.
Por conveniênciaSem lista e com acesso limitadoO questionário foi divulgado nos grupos on-line da faculdade, e todos que responderam em duas semanas foram incluídos.
Bola de neveGrupos difíceis de alcançarOs cinco primeiros respondentes indicaram outras pessoas que atendiam aos critérios.

As quatro primeiras são técnicas probabilísticas e permitem generalizar para a população com um erro amostral declarado. As três últimas não, o que é aceitável em muitos trabalhos acadêmicos, desde que o escopo e as limitações digam isso. O nosso artigo sobre amostragem probabilística percorre cada método com seus pontos fortes e fracos.

Critérios de inclusão e exclusão

Os critérios transformam uma população vaga numa população verificável. Os de inclusão dizem quem se qualifica: "alunos matriculados no último ano que tenham usado o ambiente virtual de aprendizagem por pelo menos um semestre". Os de exclusão retiram quem se qualificaria mas não deve entrar na conta, como alunos transferidos no meio do semestre, membros da equipe de pesquisa ou quem respondeu à versão de pré-teste do questionário. O pré-teste também é onde se mede a confiabilidade do instrumento com o alfa de Cronbach, então esses alunos já conhecem as perguntas.

Escreva critérios que um desconhecido consiga aplicar sem perguntar nada. "Alunos ativos on-line" não se verifica. "Alunos que acessaram o ambiente virtual pelo menos uma vez por semana no último mês" se verifica.

Aspectos éticos com os participantes

Mesmo que a ética tenha uma seção própria, diga aqui o essencial. A participação é voluntária. Os respondentes dão seu consentimento informado depois de saber o objetivo do estudo, quanto tempo leva e o que acontecerá com as respostas. Eles podem desistir a qualquer momento, sem prejuízo, e os resultados são apresentados apenas de forma agregada.

No Brasil, pesquisas com seres humanos costumam passar pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição, pela Plataforma Brasil. A Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde traz as regras das ciências humanas e sociais, inclusive os casos dispensados de registro, então confirme com o orientador se o seu caso precisa. O participante recebe o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e menores de idade precisam do TCLE assinado pelos responsáveis e de um termo de assentimento próprio. A forma mais simples de reduzir esse peso é não coletar identificadores. Uma pesquisa anônima não tem campo de nome para proteger.

Num questionário on-line, o texto do TCLE vai na primeira tela, seguido de um "Concordo" obrigatório antes da primeira pergunta. Você monta isso de graça no SurveyNinja, compartilha o link e exporta as respostas para o Excel para a análise estatística. O plano gratuito não limita o número de respostas, então a ferramenta nunca corta a sua amostra.

Um modelo de seção de população e amostra

Este é um exemplo completo para um levantamento descritivo, como entraria num projeto de pesquisa, por isso os verbos estão no futuro. Troque os dados entre colchetes e mantenha a ordem.

Os participantes da pesquisa serão os alunos do último ano dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Economia de [instituição], matriculados no semestre [ano]. Segundo a secretaria acadêmica, a população é de 400 alunos: 160 de Administração, 120 de Ciências Contábeis e 120 de Economia. Pela fórmula de Barbetta, com erro amostral tolerável de 5%, a amostra será de 200 alunos. A amostra será distribuída entre os três cursos na proporção dos matriculados, isto é, 80 de Administração, 60 de Ciências Contábeis e 60 de Economia, e em cada curso os alunos serão sorteados da relação de matriculados com um gerador de números aleatórios.

Serão incluídos os alunos matriculados no último ano que tenham usado o ambiente virtual de aprendizagem por pelo menos um semestre. Serão excluídos os que participaram do pré-teste e os membros da equipe de pesquisa. A participação será voluntária, mediante TCLE, e cada aluno poderá desistir a qualquer momento, sem prejuízo. Nenhum nome será coletado, e os resultados serão apresentados apenas de forma agregada.

No TCC final, o mesmo parágrafo passa para o passado e relata o que aconteceu: "Dos 200 alunos sorteados, 188 devolveram o questionário completo, uma taxa de resposta de 94%". Se o número final ficou abaixo do plano, diga quanto e por quê. Uma falta explicada se defende muito melhor do que uma que a banca descobre sozinha.

O perfil dos respondentes vai nos resultados

A tabela com o perfil sociodemográfico relata dados que você coletou, então fica com os resultados, geralmente como a primeira tabela do capítulo. A metodologia diz quem você planejava pesquisar, os resultados mostram quem respondeu. O formato habitual é frequência e porcentagem:

CaracterísticaFrequênciaPorcentagem
Sexo: feminino10857,4
Sexo: masculino8042,6
Curso: Administração7640,4
Curso: Ciências Contábeis5629,8
Curso: Economia5629,8
Total, em cada variável188100,0

Compare as proporções obtidas com o plano. Administração representa 40,4% dos respondentes e 40% da população, então a estratificação se manteve. Se um grupo tivesse respondido bem menos do que o previsto, você diria isso aqui e explicaria o efeito nas limitações.

Erros comuns na seção

  • Um tamanho de amostra sem população, ou uma população sem fonte para o número.
  • Amostragem por conveniência descrita como aleatória.
  • A fórmula de Barbetta usada num estudo que compara grupos ou testa relações.
  • O número de convites apresentado como número de respondentes.
  • Critérios que ninguém mais conseguiria aplicar, como "alunos ativos" ou "pessoas dispostas".
  • Verbos no futuro esquecidos no TCC final.
  • Participantes identificados pelo nome, ou citados de um jeito que permite reconhecê-los.

A partir daqui, a seção alimenta o resto da metodologia: o instrumento, o procedimento de coleta e a análise dos dados. Para a pesquisa em si, da escolha das perguntas à limpeza dos dados antes da análise, veja o nosso guia de pesquisas para TCC e dissertação.

Perguntas frequentes

O que é a seção de população e amostra de um TCC?

É a parte da metodologia que descreve quem participou do estudo: a população, o tamanho da amostra e como foi definido, o tipo de amostragem, os critérios de inclusão e exclusão e como os participantes foram protegidos.

Como escrever a população e amostra?

Descreva a população e onde ela está, informe o tamanho da amostra e como foi calculado, dê o nome do tipo de amostragem e depois os critérios e os cuidados éticos. Use o futuro no projeto e o passado no TCC final.

Qual a diferença entre respondentes e participantes?

Respondentes respondem a um questionário. Participantes, ou informantes, tomam parte em entrevistas, grupos focais ou experimentos. Muitas instituições aceitam os dois títulos, mas "participantes" combina melhor com um estudo qualitativo.

Como calcular a amostra pela fórmula de Barbetta?

Calcule n₀ = 1 / E₀² e depois n = (N × n₀) / (N + n₀). Para 400 pessoas e erro de 5%, n₀ = 400 e n = 200. Arredonde qualquer casa decimal para cima.

Qual erro amostral devo usar?

5% é a escolha habitual. Um erro de 10% reduz a amostra de uma população de 400 de 200 para 80, mas as porcentagens ficam bem menos precisas. Confira o que a sua instituição ou o seu orientador pedem.

E se a população for pequena?

Se a fórmula pedir quase toda a população, pesquise todos. Isso é um censo. Ele elimina o erro amostral, mas não o erro de quem não responde, então informe mesmo assim quantos responderam.

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