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Público-alvo

Imagine a situação: uma loja online lança uma pesquisa intitulada "O que você acha do nosso serviço?" e envia o link para toda a sua base de clientes — 50.000 endereços.

Uma semana depois chegam 2.000 respostas. A nota média é 3,8 de 5. A diretoria fica chateada: "Os clientes estão insatisfeitos!" Mas, se você analisar, entre quem respondeu há pessoas que fizeram uma única compra dois anos atrás e há muito esqueceram a loja, clientes fiéis com dezenas de pedidos, compradores no atacado e pessoas físicas. A experiência, as expectativas e os critérios de avaliação deles são completamente diferentes. Uma média de 3,8 não significa nada, porque é a média entre maçãs, laranjas e chaves de boca. O problema não é a pesquisa, e sim o fato de não ter sido definido um público-alvo para ela.

O que é público-alvo

Público-alvo é o grupo específico de pessoas ao qual se dirige uma ação de marketing, um produto, um serviço ou uma pesquisa. No contexto das pesquisas, é o grupo de pessoas cuja opinião você precisa para tomar uma decisão específica. O público-alvo de uma pesquisa determina a quem perguntar, por qual canal, em que linguagem formular as perguntas e como interpretar os resultados.

Público-alvo é um conceito que veio do marketing, mas na pesquisa não é menos crítico. Se no marketing o público-alvo responde à pergunta "Para quem vendemos?", nas pesquisas ele responde a "A quem perguntamos e por que justamente a eles?" A segunda pergunta costuma ser ignorada — simplesmente enviam o questionário para todo mundo e depois se surpreendem por os dados serem impossíveis de usar.

Público-alvo no marketing x na pesquisa — qual é a diferença

O público-alvo de marketing são as pessoas para quem você quer vender um produto. O público-alvo da pesquisa são as pessoas de quem você quer obter informações. Eles podem coincidir, ou não.

Um exemplo de coincidência. Um app de fitness quer entender quais funções adicionar. O público-alvo do produto são os usuários ativos de 25 a 40 anos. O público-alvo da pesquisa são as mesmas pessoas, porque são as necessidades delas que determinam o desenvolvimento do produto.

Um exemplo de não coincidência. A mesma empresa quer entender por que as pessoas excluem o app na primeira semana. O público-alvo do produto são os usuários fiéis. O público-alvo da pesquisa é o oposto — quem saiu. Perguntar aos clientes satisfeitos sobre os motivos do churn é como perguntar a quem ficou no restaurante por que aqueles que saíram, saíram.

Misturar esses dois conceitos é uma das causas mais frequentes de pesquisas inúteis. Antes de lançar uma pesquisa, pergunte a si mesmo: "Eu preciso da opinião dos meus clientes — ou da opinião de um grupo específico de pessoas que pode nem ser meus clientes?"

Como definir o público-alvo de uma pesquisa

Definir um público-alvo não é um processo criativo, e sim analítico. Há passos concretos.

1. Comece pelo objetivo da pesquisa

O objetivo define o público, e não o contrário. "Descobrir por que a conversão na página de pagamento caiu 15% em janeiro" → público-alvo: usuários que chegaram à página de pagamento em janeiro, mas não concluíram a compra. "Avaliar a satisfação com os serviços de RH" → público-alvo: todos os funcionários atuais da empresa. "Verificar a demanda por um novo plano" → público-alvo: usuários em potencial que ainda não são clientes.

2. Defina critérios demográficos e comportamentais

Os parâmetros clássicos de segmentação:

  • Demografia: idade, gênero, renda, escolaridade, estado civil, região.
  • Comportamento: frequência de compra, ticket médio, tempo desde o último contato, canais usados, etapa do ciclo de vida do cliente (novo / ativo / inativo / perdido).
  • Psicografia: interesses, valores, estilo de vida, atitude em relação à marca.
  • Contexto: um evento ou ação específicos (fez uma compra, entrou em contato com o suporte, participou de um evento).

Nem todos os parâmetros são necessários ao mesmo tempo. Para uma pesquisa de pulso com funcionários, basta definir "todos os funcionários atuais que trabalham há mais de 3 meses". Para uma pesquisa de mercado pode ser preciso um perfil detalhado: "mulheres de 28 a 42 anos, renda acima da média, que moram em grandes cidades, interessadas em alimentação saudável, que compram online".

3. Avalie a acessibilidade do público

Definir o público-alvo é metade do trabalho. Ainda é preciso alcançá-lo. Você tem os contatos dessas pessoas? Por qual canal elas são acessíveis? Estão dispostas a responder?

Se o público-alvo são seus clientes, você pode usar sua própria base: email, notificações push, uma pesquisa incorporada no seu site. Se o público-alvo são pessoas que ainda não conhecem você, será preciso um canal externo: redes sociais, plataformas de anúncios ou um painel de respondentes.

4. Configure filtros no questionário

Mesmo que você distribua a pesquisa por um canal segmentado, parte das respostas pode vir de pessoas não relevantes. As perguntas de triagem no início do questionário resolvem esse problema: "Você comprou produtos na nossa loja nos últimos 3 meses?"; se não, o respondente é gentilmente redirecionado para uma tela de conclusão. Isso limpa os dados e economiza tempo para os dois lados.

Segmentação: um público-alvo ou vários

Muitas vezes o público-alvo é heterogêneo, e uma única pesquisa geral gera dados nebulosos. A solução é a segmentação: dividir o público-alvo em subgrupos e analisar cada um separadamente.

Um exemplo. Um serviço SaaS quer saber o que os usuários acham da sua nova interface. O público-alvo são todos os usuários ativos. Mas entre eles:

  • Usuários gratuitos — usam funções básicas.
  • Usuários pagos no plano básico — trabalham com a funcionalidade principal.
  • Clientes corporativos — usam integrações avançadas, a API, o trabalho colaborativo.

Se você jogar todos no mesmo balaio, obtém "a temperatura média do hospital". Os clientes corporativos podem adorar a nova interface (finalmente adicionaram as funções de que precisavam), enquanto os gratuitos a odeiam (os botões aos quais estavam acostumados foram movidos). Uma nota geral de 3,5 de 5 vai mascarar as duas histórias.

No SurveyNinja, a segmentação pode ser implementada de várias maneiras: por meio de saltos lógicos (rotas diferentes para segmentos diferentes dentro de um mesmo questionário), por meio de variáveis ocultas (transmitindo informações do segmento pela URL) ou por meio da filtragem de respostas na etapa de análise.

Persona x público-alvo

No marketing, é comum criar "personas" — representantes fictícios do público: "Ana, 34 anos, profissional de marketing em uma empresa de TI, dois filhos, valoriza a comodidade e a economia de tempo". Uma persona é útil para o design do produto e a comunicação, mas para a pesquisa não basta.

O público-alvo de uma pesquisa não é a história de uma pessoa fictícia, e sim um conjunto de critérios mensuráveis pelos quais se pode selecionar objetivamente, a partir de uma grande base, os respondentes certos. "Profissionais de marketing em empresas de TI com mais de 2 anos de experiência" é um critério de amostragem. "Ana, que gosta de ioga e café", não. As personas ajudam a entender o contexto, mas não substituem a definição do público-alvo.

Erros típicos

"Nosso público-alvo são todos." Se o público de uma pesquisa é "todas as pessoas" ou "todos os nossos clientes", então ele não está definido. Quanto mais amplo o público-alvo, mais inúteis os dados. Restrinja ao grupo sobre o qual você realmente vai tomar decisões.

Pesquisar as pessoas erradas. Quer entender por que os clientes não voltam? Não pergunte a quem volta. Quer saber o que atrai um novo público? Não pergunte aos fãs fiéis — eles enxergam por outra ótica.

Ignorar o contexto. A mesma pessoa pode ser um "respondente" diferente conforme a situação. Um cliente que ligou para o suporte com um problema, e esse mesmo cliente que recebeu um desconto de aniversário, darão avaliações diferentes. O contexto (o que aconteceu antes da pesquisa) determina a resposta tanto quanto a demografia.

Público-alvo definido, mas não alcançado. Você decidiu pesquisar "todos os clientes do trimestre", mas enviou o link apenas por email. Os clientes sem email ficam de fora. A população e o público efetivamente alcançado são coisas diferentes. Documente a discrepância e leve-a em conta ao interpretar os resultados.

Uma pesquisa genérica demais para um público-alvo específico. Se o público-alvo são profissionais de marketing com mais de 5 anos de experiência, mas as perguntas são formuladas "para todos" (com explicações de termos básicos), os especialistas vão achar o questionário primitivo e abandoná-lo. A linguagem, a complexidade e a profundidade das perguntas devem corresponder ao nível do público.

Recomendações práticas

Escreva o público-alvo em uma única frase. "O público-alvo desta pesquisa são os assinantes atuais do plano "Business" que usam ativamente o serviço há pelo menos 3 meses e têm ao menos uma integração concluída." Uma definição assim pode ser verificada na base de dados, ao passo que "nossos usuários" não.

Combine o público-alvo com o responsável pela pesquisa. Um problema frequente: o profissional de marketing definiu um público-alvo, o gestor tinha outro em mente e o analista interpreta os dados como se um terceiro tivesse sido pesquisado. Uma definição escrita do público-alvo no início do projeto economiza semanas de discussão depois.

Use dados para defini-lo, não a intuição. "Parece que nosso público-alvo são os jovens" é uma hipótese. Olhe os dados reais: quem compra, quem volta, quem traz a maior parte da receita. Um perfil do consumidor construído com dados é mais preciso do que qualquer suposição.

O público-alvo de uma pesquisa não é "todos a quem se pode perguntar", e sim "aqueles cuja resposta vai ajudar a tomar uma decisão". Quanto mais precisamente você definir a quem perguntar e por quê, mais úteis serão os dados. Dez respostas das pessoas certas valem mais do que mil de pessoas aleatórias.

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