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Tipos de pesquisas e tipos de perguntas: quais existem e como escolher

Tipos de pesquisas e tipos de perguntas: quais existem e como escolher

Uma pesquisa é um método de coleta de dados em que quem pesquisa faz às pessoas perguntas preparadas com antecedência e analisa as respostas.

Só que por trás de uma única palavra, pesquisa, escondem-se ferramentas bem diferentes: um índice de lealdade medido depois da compra e um estudo anônimo do clima de uma equipe são ambos pesquisas, mas são montados, aplicados e analisados de formas distintas.

Para escolher a ferramenta certa, costuma-se classificar as pesquisas por alguns critérios: pelo objetivo, pelo método, pelo canal de distribuição e pela periodicidade. Abaixo destrinchamos cada classificação e depois passamos ao que de fato monta uma pesquisa na prática, os tipos de pergunta. No fim, mostramos com um exemplo como sair do objetivo e chegar a um conjunto de perguntas pronto.

Quatro critérios de classificação de pesquisas: objetivo, método, canal e periodicidade

Tipos de pesquisa por objetivo

Essa é a classificação principal: é o objetivo que define qual métrica você vai calcular e quais perguntas vai fazer. Na prática, aparecem com mais frequência cinco famílias de pesquisa, e vale reconhecer cada uma antes de abrir o editor.

As pesquisas com clientes medem a atitude das pessoas em relação ao produto ou à empresa. Aqui entram a pesquisa de lealdade NPS, a de satisfação com um contato específico CSAT e a avaliação do esforço do cliente (CES). Elas são aplicadas depois de uma compra, de um contato com o suporte ou de forma recorrente sobre a base, para acompanhar como essa atitude muda ao longo do tempo.

As pesquisas de produto ajudam os times de desenvolvimento a decidir: quais funções adicionar, o que atrapalha o uso, quão claro ficou um recurso novo. Aqui é comum combinar notas em escala com perguntas abertas, para ter ao mesmo tempo os números e as explicações por trás deles. Muitas vezes a pesquisa se conecta ao próprio produto, disparada quando a pessoa usa um recurso pela primeira vez ou cancela um plano, e é nesse momento que a memória do usuário está mais fresca.

As pesquisas de RH olham para dentro da empresa. São os estudos de engajamento e as pesquisas de pulso sobre o clima, o índice de lealdade dos colaboradores (eNPS) e as entrevistas de desligamento. A marca dessas pesquisas é a sensibilidade do tema, então aqui o anonimato é decisivo, senão as respostas saem enviesadas.

As pesquisas de marketing estudam o mercado e o público: a demanda por um produto novo, os segmentos de consumidores, a percepção da marca. Para elas, uma amostra representativa é especialmente importante, senão as conclusões não podem ser estendidas ao público todo.

As pesquisas de opinião estudam o que grupos da população pensam sobre temas públicos, políticos ou sociais. O que as diferencia das demais é a atenção máxima à metodologia e à amostra, já que qualquer distorção na seleção das pessoas compromete o resultado inteiro.

Na prática, as famílias se cruzam: uma pesquisa de produto pode conter uma pergunta de NPS, e um estudo de marketing pode se apoiar numa amostra de tipo sociológico. O importante não é encaixar a pesquisa numa prateleira só, e sim ter claro qual decisão você vai tomar a partir dos resultados.

Pesquisas quantitativas e qualitativas

A segunda classificação importante é por método, ou seja, pela pergunta que você responde: quanto ou por quê.

As pesquisas quantitativas respondem à pergunta quanto. Que fatia dos clientes está insatisfeita com a entrega, qual a nota média de satisfação, quantos por cento escolheriam um novo plano. Para isso você precisa de muitas respostas e, sobretudo, de perguntas fechadas, porque só assim dá para contar e comparar os resultados. É a clássica pesquisa online sobre uma base grande, e há uma análise detalhada do método no texto sobre pesquisa quantitativa.

As pesquisas qualitativas respondem à pergunta por quê. O que está por trás de uma nota baixa, com que palavras as pessoas descrevem o problema, quais motivos guiam a escolha. Aqui há poucos participantes, mas cada resposta vai fundo: perguntas abertas, entrevistas, grupos focais. Até uma única pergunta aberta, por que você deu essa nota, no fim de uma pesquisa quantitativa já é um elemento qualitativo.

Na prática, os métodos se complementam: a pesquisa quantitativa mostra onde o problema aparece e quão disseminado ele é, e a qualitativa explica por que ele surge. Para ver o mapa completo dos métodos de estudo, veja a comparação entre pesquisa primária e secundária.

Tipos de pesquisa por canal de distribuição

O canal determina quem você alcança e em que momento, e de quebra influencia a taxa de resposta. As principais opções:

  • Link direto. A forma mais universal: o link vai numa campanha de email, num chat, numa comunidade ou nas redes sociais. Serve para quase qualquer objetivo.
  • Pesquisa no site. Um widget pop-up ou embutido na página. Aqui entram também as pesquisas por gatilho, disparadas por um evento, por exemplo logo depois de finalizar um pedido.
  • Email. A pesquisa sobre a própria base de clientes ou colaboradores, quando você tem os contatos e o consentimento deles.
  • QR code. A ponte do offline para o online: o código vai no cupom, na mesa do café, na embalagem ou num anúncio impresso.
  • Telefone e presencial. Usados quando o público está mal representado na internet ou quando é preciso um contato ao vivo com quem entrevista.

Os canais não se excluem: a mesma pesquisa pode estar no site, ser enviada por email e ficar num QR code de um ponto físico ao mesmo tempo, e depois você compara a resposta por origem para saber onde compensa investir.

Tipos de pesquisa por periodicidade

A última classificação é a frequência com que você volta a medir.

  • Pesquisas pontuais são feitas para uma tarefa específica: testar uma hipótese, avaliar um evento, colher feedback sobre uma função nova.
  • Pesquisas de acompanhamento (tracking) se repetem em intervalos regulares para você ver a evolução. Uma única medição de NPS diz pouco; o sentido aparece quando você a compara com o trimestre anterior.
  • Pesquisas de pulso são frequentes e bem curtas, de três a cinco perguntas. São típicas de RH, para captar o clima da equipe com regularidade sem cansar as pessoas com questionários longos.

Na prática, a periodicidade quase sempre acompanha a métrica: se você escolheu um índice como o NPS ou o CSAT, faz pouco sentido medi-lo uma única vez, porque o valor só ganha significado na comparação. Por isso, decida logo no começo se a pesquisa é um retrato único ou o primeiro ponto de uma série, já que isso muda a forma de fazer as perguntas e o cuidado em manter o texto idêntico entre as ondas, para que os números sigam comparáveis.

Tipos de pergunta em uma pesquisa

Qualquer pesquisa, seja de que tipo for, é montada com perguntas de tipos diferentes. Escolher o tipo não é uma questão de forma, e sim do que e como você vai conseguir contabilizar depois.

A divisão mais geral é entre perguntas fechadas e abertas. As fechadas oferecem opções prontas de resposta, são fáceis de agregar e de contar em porcentagem. As abertas pedem uma resposta com as próprias palavras: dão profundidade e formulações inesperadas, mas exigem uma leitura manual ou uma análise com ajuda de IA. A proporção que funciona para a maioria das pesquisas é predominantemente fechadas, mais uma ou duas abertas; sobre esse equilíbrio, veja o texto sobre perguntas abertas e fechadas.

Divisão das perguntas em fechadas e abertas, com exemplos de tipos

Dentro desses dois grupos há alguns tipos principais:

Tipo de pergunta O que entrega Exemplo
Escolha únicaUma resposta da lista"Como você ficou sabendo de nós?"
Escolha múltiplaVárias respostas de uma vez"Quais funções você usa?"
DicotômicaResposta sim/não"Você já contatou o suporte?"
Escala (Likert)Grau de concordância"Avalie de 1 a 5 o quanto concorda"
Escala NPSDisposição de recomendar"0 a 10: você nos recomendaria?"
Avaliação (estrelas, emojis)Nota emocional rápidaAvaliação do atendimento em estrelas
MatrizVários itens numa mesma escalaTabela "afirmação x nota"
RanqueamentoOrdem por importância"Ordene os critérios por prioridade"
AbertaResposta com as próprias palavras"O que devemos melhorar?"

Cada tipo tem as suas sutilezas. A escolha única força uma decisão e é a mais fácil de analisar, enquanto a escolha múltipla reflete melhor a realidade, mas infla as contagens, então convém limitar quantas opções a pessoa pode marcar e sempre oferecer um campo "outro" para não perder respostas que ficaram de fora da lista. As perguntas dicotômicas funcionam bem como filtro no começo da pesquisa e para configurar a lógica de ramificação, mas achatam a opinião: quem concorda em parte é obrigado a escolher entre sim e não. As escalas precisam ter os extremos rotulados, 1 é não gostei nada e 5 é excelente, senão cada respondente interpreta as notas do próprio jeito; e vale distinguir a escala Likert de concordância da escala de NPS, que é sempre de 0 a 10 e mede só a disposição de recomendar. A avaliação por estrelas ou emojis soa mais amigável que uma escala seca e costuma render uma taxa de resposta mais alta. As matrizes economizam espaço, mas são difíceis de ler em telas de celular, então matrizes longas ficam melhores quebradas em uma série de perguntas separadas.

Como escolher o tipo de pesquisa e os tipos de pergunta

A escolha segue sempre a mesma cadeia, do geral ao particular:

  1. Objetivo. Que decisão você vai tomar a partir dos resultados? É isso que define o tipo de pesquisa.
  2. Métrica. Lealdade é NPS, satisfação é CSAT, esforço do cliente é CES, ou simplesmente feedback aberto, se você não precisa de um índice.
  3. Método. Se precisa de números e proporções, é uma pesquisa quantitativa sobre uma base grande; se precisa entender causas, acrescente perguntas qualitativas, abertas.
  4. Tipos de pergunta. Predominantemente fechadas, para contar, mais uma ou duas abertas, para entender.

Vamos a um exemplo. Suponha que uma loja online percebe que as recompras diminuíram e quer entender o que consertar primeiro. O objetivo é decidir para onde direcionar o esforço, logo é uma pesquisa com clientes. A métrica é o NPS, para avaliar a lealdade geral, mais uma pergunta aberta sobre o motivo da nota. O método é quantitativo, sobre a base de quem comprou nos últimos três meses. O canal é o email, uma semana depois da entrega. Os tipos de pergunta são a escala de NPS, depois uma pergunta fechada sobre o motivo com opções claras e uma pergunta aberta, o que podemos melhorar. O resultado é uma pesquisa curta, de quatro a cinco perguntas, que mostra ao mesmo tempo o número e a causa por trás dele.

Definido isso, resta montar a pesquisa na prática, o que leva poucos minutos. Se o formato de questionário com estrutura pronta te atende mais, veja como montar um questionário. E para gerar as primeiras perguntas a partir do seu objetivo, um gerador de perguntas por IA acelera bastante o rascunho.

Erros frequentes na escolha

Algumas situações típicas em que um tipo de pesquisa ou de pergunta mal escolhido estraga os dados:

  • Uma pergunta aberta onde uma fechada bastaria: em vez de uma estatística arrumada, você recebe um monte de texto que ninguém tem tempo de analisar.
  • Escala sem os extremos rotulados: as respostas não dá para comparar direito, porque "7 de 10" cada um entende de um jeito.
  • Matriz longa numa pesquisa mobile: os respondentes abandonam o questionário antes do fim.
  • Conclusões quantitativas sobre uma amostra pequena demais: o número parece convincente, mas é estatisticamente frágil. Quantas respostas você precisa reunir está no texto sobre tamanho da amostra.
  • Métrica pela métrica: colocar um NPS só porque é praxe não faz sentido se você não vai trabalhar com ele depois.

Em resumo

As pesquisas se dividem por objetivo (com clientes, de produto, de RH, de marketing, de opinião), por método (quantitativas e qualitativas), por canal (link, site, email, QR, telefone) e por periodicidade (pontuais, de acompanhamento, de pulso). E são montadas com tipos de pergunta, da escolha única e das escalas até as matrizes e as respostas abertas. A escolha certa nunca começa pelas perguntas, e sim pelo objetivo: o que você vai fazer com os resultados.

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Perguntas frequentes

Quais tipos de pesquisa existem?

As pesquisas se distinguem por objetivo (com clientes, de produto, de RH, de marketing, de opinião), por método (quantitativas e qualitativas), por canal (online, email, no site, por telefone, offline via QR) e por periodicidade (pontuais, de acompanhamento, de pulso).

Qual a diferença entre uma pesquisa quantitativa e uma qualitativa?

A pesquisa quantitativa reúne muitas respostas e responde à pergunta quanto: perguntas fechadas e estatística. A qualitativa reúne poucas respostas, mas em profundidade, e responde à pergunta por quê: perguntas abertas, entrevistas, grupos focais.

Que tipos de pergunta existem em uma pesquisa?

Os principais tipos: escolha única e múltipla, dicotômica (sim/não), escala (inclusive a Likert), escala de NPS de 0 a 10, avaliação (estrelas ou emojis), matriz, ranqueamento e pergunta aberta de texto.

O que é uma pergunta dicotômica?

É uma pergunta com duas opções de resposta mutuamente excludentes, em geral sim/não. Ela é útil como filtro no começo da pesquisa e para configurar a lógica de ramificação, mas achata a opinião.

Qual a diferença entre a escala Likert e o NPS?

A escala Likert mede o grau de concordância com uma afirmação (por exemplo, de 1 a 5). O NPS é uma escala separada, de 0 a 10, estritamente sobre a disposição de recomendar, a partir da qual se calcula o índice de lealdade.

Perguntas abertas ou fechadas, o que escolher?

As perguntas fechadas (escolha, escalas) são fáceis de contar e dão estatística. As abertas dão explicações, mas precisam ser analisadas à mão ou com ajuda de IA. Uma pesquisa saudável é feita sobretudo de perguntas fechadas, mais uma ou duas abertas.

Que tipo de pesquisa escolher para os clientes?

Para lealdade, o NPS; para a satisfação com um contato específico, o CSAT; para o esforço do cliente, o CES. A escolha depende de qual decisão você vai tomar a partir dos resultados.

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